Decisão e contexto
Em sua última reunião sob a presidência de Jerome Powell, o Federal Open Market Committee (FOMC) divulgou hoje (29/04) a decisão de manter o Fed Funds Rate no intervalo de 3,50 a 3,75%, pela segunda reunião consecutiva. A decisão novamente apresentou o placar de 11 votos favoráveis à manutenção, contra um voto dissidente de Stephen Miran, o qual seguiu defendendo um corte de 25 bps.
Comunicado e cenário
Apesar da permanência do trecho em que caracteriza o ritmo sólido da atividade econômica e pouca mudança aos dados de emprego, o comitê passou a dar mais ênfase ao quadro inflacionário. O trecho que caracterizava a inflação como "um pouco elevada" deu espaço para a nova avaliação de que a inflação está elevada, em parte devido ao choque nos preços de energia. Sobre a avaliação prospectiva, o comitê citou os conflitos no Oriente Médio como principais contribuintes para o elevado nível de incerteza.
Sinalização prospectiva
A mudança mais significativa apareceu no posicionamento de três membros que, apesar de apoiarem a manutenção da taxa, se posicionaram favoráveis à retirada do "viés de afrouxamento" do comunicado, sendo eles Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan. Em complemento, Jerome Powell destacou que os acontecimentos dos próximos meses podem ser significativos para a mudança da linguagem do comunicado.
Visão MMZR
Embora a decisão de política monetária tenha vindo em linha com o amplo consenso, o comunicado representou um marco importante de uma possível virada do viés dovish para um tom mais hawkish. Ainda que o comunicado cite a dependência de dados futuros para reavaliar o cenário, a incerteza elevada levou os membros a adotarem posturas mais cautelosas, com destaque ao voto de Kashkari pela alteração da linguagem, dado seu histórico mais dovish. Essa mudança veio ao encontro da ênfase de Powell na coletiva de março, quando afirmou que, sem progresso adicional na desinflação, não haverá espaço para cortes. Por fim, vale mencionar que Kevin Warsh foi oficialmente aprovado para assumir a presidência do FED, algo que pode influenciar bastante a próxima reunião e a comunicação daqui para a frente.